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Mostrando postagens de março 22, 2013

Novo texto de Leonardo Soltz

Um Lixo só Por Leo Soltz* Acostumados no passado a adquirir bens de consumo para durar, os brasileiros vêm sendo perseguidos por um novo movimento de consumo que já traz grande preocupação a especialistas e, em um futuro bem próximo, a todos nós. O descarte indiscriminado de lixo. Todos os anos, pesando nesta balança apenas os dados ligados a e-waste , que quer dizer lixo eletrônico, o universo do descarte ultrapassa os 150 milhões de toneladas / ano. A cada troca de celular por um novo “modelito” geramos mundialmente uma substituição de 1,5 bilhões de celulares. A partir daí, 50 milhões de toneladas são expostas ao mesmo fim. O Lixo.  Sem entrar no mérito da toxicidade deste ato, estamos diante de um expressivo problema. Os maiores produtores de lixo tecnológico reciclam apenas 30% do seu consumo. A mais expressiva parte deste bolo é exportada para países em desenvolvimento com o pretexto de iniciarem seu caminho tecnológico na famosa “inclusão social”. Recebem de fato...

Ricardo Ramos no BADESC

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Não caço mais dragões - Alessandro Martins

NÃO CAÇO MAIS DRAGÕES Um dragão chinês entrou pela porta do corredor, passou meu quarto, saiu pela janela em direção às montanhas da serra do mar, não sem antes me arrebatar com seu hálito de fogo, que me despertou por completo. Corri para a varanda para vê-lo mais um pouco. Era verde com escamas vermelhas, mas a sua fuga, em direção ao sol ofuscante recém-nascido, impediu-me de ver mais detalhes, tais como se tinha marcas de nascença, se tinha quatro, seis ou oito patas, como eram suas orelhas e se tinha tiques nervosos. Mesmo a minha afirmação quanto ao fato de ele ser um dragão chinês é mera suposição. Não tive tempo de lhe perguntar a nacionalidade. Apenas supus. Afinal parecia mais com uma serpente que com um dinossauro, como é o caso dos dragões medievais. Porém essa impressão pode estar errada. Já tive um amigo cujos pais eram chineses. Ele tinha olhos como os dos chineses, cabelo como tal e o rosto no formato respectivo. Mas era de Nauru. Logo mantive a hipótese, enq...

Amor e Neve - Alessandro Martins

AMOR e NEVE A linguagem é condicionada pela realidade. Os esquimós têm umas sete ou oito palavras diferentes para designar a neve de acordo com  suas características. O que para nós, não-esquimós, é apenas uma monótona vastidão  branca, para eles é diversidade, uma variedade que sabem identificar, classificar, nomear e  detalhar. No entanto, conhecem pouco as árvores e, por isso, chamarão uma figueira, um eucalipto e  um carvalho apenas de árvore, sem talvez perceber que há uma diferença entre elas, assim  como nós em relação às diferentes neves, cujas particularidades são tão evidentes para eles. Os esquimós estão em um mundo de neve, cercados por neve, convivendo com a neve e,  por isso, a conhecem em sua diversidade. Nós não chegamos a estar cercados de árvores, mas conhecemos também suas diferenças. Nós, esquimós e não-esquimós, no entanto, chamamos muitas coisas diferentes por um único nome: amor. Possivelmente, em nosso convívi...